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Refundar o Estado II

por PR, em 02.11.12

É preciso refundar o Estado. Para termos uma ideia da urgência e e da absoluta inevitabilidade desta refundação, proponho um exercício. Imaginemos que entre 2008 e 2012 o PIB tinha crescido 4% ao ano em termos nominais, e que os impostos directos e indirectos tinham mantido o seu peso no PIB.

 

Neste caso, o défice real de 2012 não seria de 6%, mas de menos de 2%. O Estado gordo, obeso e incompatível com finanças públicas sãs seria um caso exemplar a nível europeu se… Hum, bom, se as coisas entre 2008 e 2012 tivessem corrido mais ou menos como correram nos trinta anos anteriores.

 

Mas é preciso refundar o Estado. Tem mesmo cara de coisa inevitável.

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publicado às 22:27


7 comentários

De Jorge a 06.11.2012 às 20:32

Como é que se faz para se ter um crescimento de 4% ao ano?

http://snag.gy/ps8x5.jpg

De PR a 06.11.2012 às 23:53

Em circunstâncias normais, não é preciso fazer nada. A economia cresce 2% por si mesma (os restantes 2% vêm da inflação).

De Jorge a 10.11.2012 às 10:42

Não percebo esta expressão de crescer por si mesma. Por um lado, uma taxa de crescimento constante é uma impossibilidade porque isso representa uma progressão geométrica e os recursos (energia, tempo, pessoas, matérias primas,...) são finitos. Por outro, se assim fosse, porque é que as economias do gráfico supra, o qual representa a taxa de crescimento real do PIB de vários países, não cresceram 2% ao ano? Temos ali o interessante efeito das economias de leste com taxas espantosas mas, até essas, entraram em colapso - inclusive a polaca entrou em queda em diferido. Foram economias que ganharam e cresceram com as deslocalização da produção - viva a mão-de-obra barata, mas que não resistiram à queda das importações dos mercados consumidores, esses mesmos que antes da deslocalização eram, eles mesmos, produtores.

Quanto à economia crescer 2% ao ano graças à inflação, é como acreditar que um copo transborda por ter mais água quando uma pedra nele é deitada.

De NS a 09.11.2012 às 12:31

Portanto, em 2008, isto era uma maravilha e caminhávamos a passos largos para a prosperidade e o desenvolvimento harmonioso?

De PR a 12.11.2012 às 19:43

NS,

Não. Nem é isso que se extrai do que eu disse.

Jorge,

A ideia do crescimento limitado dava pano para mangas. Em todo o caso, o grosso das economias desenvolvidas cresceu bem mais do que 2% ao ano durante os últimos 200 anos. Portanto, essa taxa de crescimento é um baseline aceitável para o período actual.

Não percebi a comparação da inflação com a pedra no copo. A inflação é uma componente do PIB, que é a base de onde se extraem impostos. Se a inflação põe o PIB nominal a valer o dobro, é duas vezes mais fácil arrecadar o mesmo valor de impostos.

De NS a 13.11.2012 às 18:23

Eu não consigo deduzir outra coisa das suas palavras. É que não me é difícil acreditar que um dos motivos que nos conduziu ao actual estado de coisas foi precisamente a falta de reforma do estado.
Além disso, tenho dúvidas que seja possível, nos próximos anos, aumentar a carga fiscal. Como tem que reduzir o défice (a dívida já está nos limites, por isso a coisa nem sequer se resolve com uma maior flexibilidade financeira) terá que o fazer obrigatoriamente do lado da despesa.
Já se percebeu que a estratégia incial do governo, de redução transversal da despesa por via de cortes de salários, falhou em toda a linha: primeiro com o chumbo do corte dos subsídios pelo TC; depois pelo chumbo da desvalorização fiscal pelo CDS.
Há outro caminho que não seja a reforma do estado?

De PR a 13.11.2012 às 23:17

Acho que o post mais recente é um bocado mais claro em relação ao que eu quis dizer.

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